25/06/2008

Foge Foge Bandido

Começo por dizer que sou um severo crítico da música portuguesa, roçando mesmo um anti-patriotismo no panorama musical. Por quanto a razão estiver ligada ao gosto, vou-me safando por entre a discórdia do que realmente é bom e mau. Até há pouco tempo não conseguia provar o porquê desse meu anti-patriotismo. Certo é que também não conseguiam mostrar que o que se faz por cá é tão bom como em terras de Sua Majestade, por exemplo. Devo frisar até há pouco tempo.
No início do mês foi lançado algo que é diferente, sendo que "diferente" significa "o Manel Cruz fez mais uma das suas". Dizer que Foge Foge Bandido é diferente parece pouco Mas para mim é tão diferente para o micro-cosmos português como o OK Computer foi para o mundo. Foi diferente, mas Oh! Meu Deus! que diferente!
Quem sentir o dever de comprar este duplo LP sente nas mãos o prazer de ter não um CD com booklet mas um booklet acompanhado por 2 CDs. E que mágico que ele é! Em cada página encontramos as peças do puzzle de alguém que na verdade é algo. Algo de muito diferente para o comum. A cada página folheada o transporte é instantâneo para o quotidiano diário da construção deste álbum. Diferentes dias e noites, estados de humor, amigos, horas ganhas a desconstruir o mundo musical contemporâneo. Este é o mundo que encontramos tanto de olhos abertos como fechados.
O exercício de transpôr o visual para o auditivo tornou-se assustadoramente fácil. Quase conseguimos imaginar as horas incontáveis a olhar para o tecto, as noites infindáveis perante a televisão fazendo zapping atrás de zapping. Até as missas telivisivas que passam a altas horas da noite (ou baixas de dia) centrifugando pentacostalistas e reduzindo a pequenez humana ao nada. Fui até alertado para sons que outrora eram quotidianos mas que, tal como uma amiga disse, "caminha a passos largos para a extinção".
O resto... descubram.

Com tudo isto só tenho mesmo a dizer que é um álbum diferente. E Oh! Meu Deus! como é bom ser diferente!