Ainda não sei como tudo aconteceu. Mas eu sei. Desviei-me. Percorri um longo caminho errado. Porque me olhas de raiva? Porque me acusas de ter terminado uma bela vida? Será o mais correcto a continuação onde o sentimento não se sente na sua plenitude? Por breves momentos esqueci-me. Sim. Principalmente por ti doce Ariana. Mas para fazeres sentido no pensamento ainda não te posso. Sei que foste a salvação de muitos, mas por ora não te posso. Porque és tu o meu último arrependimento, só me posso recriminar no fim de todas as opções.
- Nesse instante, nesses segundos em que iniciaste o passo vazio, destruíste-a,
olho-me com os nervos da razão. Alterei a minha inexistência e em si perdi-me no diabólico. Desisti de um ser de falsas verdades e na minha ilusão destruí-a. Agora não. Recordo-te agora Mónica. Recordo-te nesse sorriso colocado em tantos sítios. Recordo-me de olhar fixamente, abstraído de convivialidade abstracta que permanece distorcida no diluído de brindes como simples nexo da fuga do real. Nisso permanecemos reais. O mesmo. Mas para outras conclusões. Sentia os ruídos, as movimentações rápidas e desorganizadas do passar do tempo. Um pouco mais abaixo do olhar permanecia intocável a terrível pratada. A instituída norma de acompanhante de alcoól caseiro. Como ambos têm sabores horríveis decido-me pelo copo. Iniciam-se pensamentos nefastos e pagãos. São seios voluptuosos, lábios de um avermelhado carnal, umbigos suados pernas em mim acorrentadas, mãos a percorrer a pele já quente e desejosa de prazer. As movimentações tornam-se cada vez mais enubladas. Foco-te Mónica. Tu sufocas-me. Permanecemos de olhar felino já com o gosto da presa na boca.
De súbdito os braços errados acordam-me. É certo que foi nesta réstia de lugar, exactamente neste mesmo sítio Margarida. Mas deixa-me primeiro amar Mónica para passar a odiá-la e então existes. Iremos.
- Talvez até demais ou não o suficiente, qual preferes?
Regresso. Encontro-me agora no meio de um enorme alvoroço. O jantar aproxima-se da sua inutilidade. As vozes começam a agravar e a diminuir de sentido. Entre a desorganização vocal ouve-se o planeamento do posterior. Navego com o olhar entre o denso nevoeiro criado pela infindável quantidade de tabaco fumado. A visão tropeça no dono deste antro afável. Homem de merecido pouco respeito compatível com a sua miserável estatura. Permanece meio escondido por detrás do seu balcão, remechendo os olhos, tentando captar algum sinal de caloteiros ou queimas de pedras. É tudo a mesma merda! afirmava ele num dia mais descontraído. Drogados e ladrões. Era tudo a tiro. Vindo de uma boca tão grosseira não espanta esta ridícula antítese. Ele mesmo é. Sabe-se por toda a cidade que outrora fora pássaro engaiolado e os seus conhecimentos não são os mais de respeito social. Pouco importa no seu ser. Mas importante são as transacções, negócios, dinheiro, rico! quero é dinheiro! regalava-se só no pensamento de notas apinhadas o som de moedas a cair sobre uma prévia pilha delas. Um olhar mais atento vê a sua maneira bastando sentir a suavidade com que ele maneja os seus fios e pulseiras, anéis.
Imediato ao estalar de uns dedos. O recuo dessa misteriosa mão leva-me a uma cara quase fumegante que atiça um Aposto que te esqueceste de mim. Como poderia eu? Não quero nem podia. Apenas aliviei.
- Tenho de admitir que ela era única
também cedo ao que permanece impossível e negar. Fora a única que preenchera as duas partes conflituosas do humano. Aprisionara a paixão e o amor e jogava com essa dualidade como só ela o sabia.
- Não o negando sei ao contrário desse vazio, que seríamos um simples jogo até ao fim.
15/09/2008
01/09/2008
I
Ainda hoje não sei como tudo aconteceu. Mas eu sei. Vivi. Agora já não. Não mais. Agora é tempo de reflexões. Agora que acordei penso. Capto o rochedo que se propõe. A ausência do verde vivo a permanência do forte cinza. Tudo agora parece avermelhado de um sol que pede descanso. Olho-me agora. Quieto permaneço deitado inexpressível. À espera. Julgo-me no frente. Se fosse maciço destruía-te. A ti e a essa inactividade. Que digo? Eu sou agora a minha essência. Sou de regresso o bruto que uma vida levou a moldar. Seria mais agora cobarde, agora inactivo, auto-destrutivo, mais tudo. Por agora. Pobre velho que não saiu de rapazote. Podemos falar? Podemos dialogar sobre tudo? Agora não te apetece. O nunca deve ser mais correcto. Recolho-me. Passeio-me junto de altiva pensatez. Qualifico a minha eternidade. Não fosse a cor de cal, pareço-me bem. Não fosse a ausência de correria frenética de sangue pareço-me bem. Sim. Pareço-me bem. Apresentável. Bem acomodado parece-me bem. Por favor acorda. Não me apetece ficar só com pensamentos. Revoltam-se a cada nova hipótese. São encruzilhadas onde o meu eu se perdeu na ténue esperança de encontrar o que tem o nome de caminho certo para o teu eu. Mas optei pelo menos certo.
- Dizes bem, optaste por tua opção.
oiço na abertura do olhar do eu. Desculpa não era minha intenção. Claro que sim. Foi puro esse desejo e imediatamente te avassalas. Não te recolher desse teu ser? Reaccionário era o mínimo que te poderia chamar? Porque é que o teu ser não se sobrepôs ao meu? Tudo seria mais fácil. Mas que falas? Tiveste uma vida de esconder? De que te arrependes tanto? Desculpa. Não foi. Claro que foi e sempre será. Passarás o teu fim da mesma forma do teu início de ser. Passarás o teu fim a repetir uma chorada palavra enquanto vermes te criam ridículo. Será até ao fim. Sim é certo meu caro. Até ao Fim.
- Dizes bem, optaste por tua opção.
oiço na abertura do olhar do eu. Desculpa não era minha intenção. Claro que sim. Foi puro esse desejo e imediatamente te avassalas. Não te recolher desse teu ser? Reaccionário era o mínimo que te poderia chamar? Porque é que o teu ser não se sobrepôs ao meu? Tudo seria mais fácil. Mas que falas? Tiveste uma vida de esconder? De que te arrependes tanto? Desculpa. Não foi. Claro que foi e sempre será. Passarás o teu fim da mesma forma do teu início de ser. Passarás o teu fim a repetir uma chorada palavra enquanto vermes te criam ridículo. Será até ao fim. Sim é certo meu caro. Até ao Fim.
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