24/01/2009

III

Ainda não sei como tudo aconteceu. Mas lentamente percepciono o início. A tomada de posse do compulsivo monstro a que chamamos Fim. Mónica. Sei agora porque chorar. Tornaste-te captiva do passado. Agarraste-o para se tornar teu nosso futuro. Foram escassos os minutos que sonhámos ser a nossa eternidade.
Em que monstro te transformei. Pior a loucura na qual te vi. Aguardei que o dono do tempo me viesse buscar mas ambos aguardámos demasiado. Torna-se agora claro que tudo deveria terminar mais cedo. Enquanto detínhamos o poder das nossas decisões. O puro mudou-se a insanidade, a razão simplesmente morreu.
Na mórbida tarde em que saíste ambos sentimos a angústia da razão subir ao trono onde reinava o amor. Nosso.
- Eu chamei-te à razão. Corpo e imagem co-existem. Unos e inseparáveis. Precisas agarrar o que sentes.
mas tudo é tudo é tão superior. O sentimento é. Amor. Até a própria consciência o é. A razão nasce para ser superada. Criámos algo superior a instinto. Temos poder para deliberadamente oferecer a nossa vida a outrém. Superámos o físico. Somos trancendentes. Eu morri. Decidi. Escolhi por opção. Não segui o natural. Sou contrário ao natural. Todos o somos de forma. E eu senti-te neste princípio Mónica. Que cobardia te atacou para o perderes? A revolta é contra a revisão. Eu amei-te. Ou pelo menos achei. Criam-se incertos desde a chegada. Queria tanto perdurar. Terminar o avanço da progressiva continuação do quotidiano e ter-te como sentimento de culpa. A continuação do tempo garantiu-me forças e resistências. Garanto a solidão como verdadeira companhia. É a certeza.
Foi. Chacinaste a minha razão. Tornaste o corpo que dera à imagem numa multiplicação de ruídos indecifráveis. E tudo fora como início da escrita, reapredizagem da linguagem, da locomoção, de tudo o que se apreende da vista. Antes de crescer, renascer tornou-se por obrigatoriedade.Tudo o fizeste com um simples olhar Margarida. Na tentativa de te conhecer, dominaste-me. Até ao fim.