26/03/2008

Guillemots - Red

Ainda me lembro da primeira vez que realmente ouvi Guillemots. Tudo começou com a Sao Paulo. Para toda aquela gentalha crítica que preconiza o fim da música por não haver nada de novo. Eles chegaram, viram e venceram. Simplesmente bailaram como génios a dar esmola aos pobres. Trough The Windowpane foi um álbum na verdadeira ascensão do seu significado. Seja de recordações, de arte, sente-se que é algo que pertence à nossa vida. Depressa recordamos momentos e vivências que a vida, por coincidência ou infortúnio, nos obrigou a ter. É assim que consigo definir Guillemots.
Foi a 24 de Março de 2008, mas já com muitos meses de ansiedade, que lançaram um novo álbum intitulado Red. Acho que não consigo exprimir a pressa que tinha em colocá-lo em volume máximo e deixar-me ensurdecer por mais uma nova obra-prima. E tudo começou. Já tinha ouvido a Kriss Kross e sabê-la como primeira faixa deixava-me com a certeza que era nesse dia que eles iam rebentar com o mundo…

Mas o castelo era de areia…

…e com as marés desmoronou-se. Sinceramente ainda estou para descobrir como é que músicas como a Big Dog e Falling Out Of Reach existem dentro deste álbum. Sempre soube que Guillemots são na verdadeira essência um grupo pop. Mas bolas!!! Lixo americano já me farto de ouvir e evito-o sempre que posso! E estas são cópias exactas! Foi para mim a desilusão que quase me fechou os ouvidos ao resto do álbum.

Não posso dizer que o resto do álbum está mau, porque não está. Muito pelo contrário. Get Over It e Cockateels sabem a Guillemots naquelas pequenas loucuras vocais anárquicas em que sabem tão bem entoar. Words e Take Me Home sentem-se Gillemots naquele cobertor quente que nos aquece o coração.
A verdade é que percorrendo o álbum se encontra facilmente aquilo que define Guillemots, principalmente na sua extravagância. Tem o mesmo espírito de Trough The Windowpane, devo admitir, e bem condimentado musicalmente preenchendo aqueles espaços que os conseguem distinguir das demais bandas. Mas aquelas duas músicas, lamento mas não consigo.



20/03/2008

Fleet Foxes - Ragged Wood

O meu quase anti-americanismo leva-me por vezes a passar ao lado de algumas coisas. Não sei se são boas ou más porque simplesmente não conheço. Penso agora neste facto porque me sinto maravilhado com o que me parece ser uma preciosidade que será lançada, em princípio, lá para Junho deste ano. (Thank Man for the net!). Preciosidade que parece estar trancada numa arca há muito escondida do olhar e toque humano.

Fleet Foxes é um quinteto formado na mítica cidade de Seattle tendo recentemente assinado pela não menos mítica editora Sub-Pop muito ligado ao movimento grunge nos anos primeiros da década de 90. Quem investigar a sua página no MySpace depara-se com uma frase curiosa: "not much of a rock band." Ironia talvez? Vai de encontro aos meus pensamentos. Basta ouvir com atenção o que se faz do outro lado do oceano. É possível dizer que Fleet Foxes é rock? Mas se recordarmos Fleetwood Mac ou Jethro Tull apercebemo-nos dessa raiz comum a todos os estilos. Mas claro, não é a principal influência. Cruzando baroque-pop, folk e até mesmo absorvendo influências de celtic music cria-se uma sonoridade ambiental muito rústica e rural capaz de inundar de fantasia os nossos pensamentos e cada nova audição é acompanhada de novos adereços imaginários desde comboios que rasgam vastas planícies a ecos que se ouvem dentro das muralhas de castelos medievais. Ouvir Ragged Wood destes Fleet Foxes chega quase a ser uma experiência tanto auditiva como visual.

Um trabalho simplesmente fantástico e que aguardo com grande expectativa.