Ainda não sei como tudo aconteceu. Queres falar sobre?
Ainda bem que perguntas. Sentes-te para? Apetece-me rir na tua cara. Pretendo ver-te completamente desprotegido caído no chão e rir até não poder mais. Quero sentir por todo o meu espírito a doce ironia do teu ser. Quero-te rasgar pedaço por pedaço.
bem tento recuar com as palavras, tento compreender que errei. Não me consigo encarar.
Compreendes agora o ridículo a que chegaste? Aceito a frustração que sentes ver finda a tua vida e não teres recuperado absolutamente nada mas não me culpes por rir. Durante todo este tempo permaneci calado a ouvir os teus desvaneios sobre a tua vida miserável. Tu próprio.
Não poderia encaixar o meu ser de outra forma. Seja de forma genética, hereditária, bilógica, algo que ciência certa e absoluta possa explicar. Ou sou eu. Ou não sou. Ter que explicar erros humanos cai na certeza do desespero. Culpo o meu eu. Desculpabilizo-me.
Durante largos anos encurralaste-me na tua penosa cabeça. Encheste-a de pensamentos, dos ses, de consequências, das culpas de não fazer. Só a espaços me concedias o direito de te suplantar. Mas olha-me de ódio. Retribuo-te com raiva. Porque foi durante esses espaços que te concedi alguma felicidade que com esse teu grandioso ser desprezaste, abandonaste, suprimiste em nome do que chamas Ser Verdade. Meu caro amigo. És pura mentira. Criaste-te sem parâmetros lógicos
Pára, peço-me. Tive de me construir de alguma forma. E se me destruí, algo havia para o fazer. Não poderia acreditar numa mentira que se tornava cada vez mais verdade.Compreender que o que acredito não o posso ter era-me ainda difícil de aceitar.
Caíste em ti próprio. Ou em mim. Quando me tocaste percebeste a tua inexistência. Chegaste ao fim da tua equação. Assim que compreendeste que na verdade eu cresci sobre ti deixaste de ser razão. Por isso é irónico. Não me culpes por gostar de te ver perdido no teu próprio labirinto.
E agora? pergunto-me. Mereci viver? Que justificações encontro para a minha existência?
19/02/2009
24/01/2009
III
Ainda não sei como tudo aconteceu. Mas lentamente percepciono o início. A tomada de posse do compulsivo monstro a que chamamos Fim. Mónica. Sei agora porque chorar. Tornaste-te captiva do passado. Agarraste-o para se tornar teu nosso futuro. Foram escassos os minutos que sonhámos ser a nossa eternidade.
Em que monstro te transformei. Pior a loucura na qual te vi. Aguardei que o dono do tempo me viesse buscar mas ambos aguardámos demasiado. Torna-se agora claro que tudo deveria terminar mais cedo. Enquanto detínhamos o poder das nossas decisões. O puro mudou-se a insanidade, a razão simplesmente morreu.
Na mórbida tarde em que saíste ambos sentimos a angústia da razão subir ao trono onde reinava o amor. Nosso.
- Eu chamei-te à razão. Corpo e imagem co-existem. Unos e inseparáveis. Precisas agarrar o que sentes.
mas tudo é tudo é tão superior. O sentimento é. Amor. Até a própria consciência o é. A razão nasce para ser superada. Criámos algo superior a instinto. Temos poder para deliberadamente oferecer a nossa vida a outrém. Superámos o físico. Somos trancendentes. Eu morri. Decidi. Escolhi por opção. Não segui o natural. Sou contrário ao natural. Todos o somos de forma. E eu senti-te neste princípio Mónica. Que cobardia te atacou para o perderes? A revolta é contra a revisão. Eu amei-te. Ou pelo menos achei. Criam-se incertos desde a chegada. Queria tanto perdurar. Terminar o avanço da progressiva continuação do quotidiano e ter-te como sentimento de culpa. A continuação do tempo garantiu-me forças e resistências. Garanto a solidão como verdadeira companhia. É a certeza.
Foi. Chacinaste a minha razão. Tornaste o corpo que dera à imagem numa multiplicação de ruídos indecifráveis. E tudo fora como início da escrita, reapredizagem da linguagem, da locomoção, de tudo o que se apreende da vista. Antes de crescer, renascer tornou-se por obrigatoriedade.Tudo o fizeste com um simples olhar Margarida. Na tentativa de te conhecer, dominaste-me. Até ao fim.
Em que monstro te transformei. Pior a loucura na qual te vi. Aguardei que o dono do tempo me viesse buscar mas ambos aguardámos demasiado. Torna-se agora claro que tudo deveria terminar mais cedo. Enquanto detínhamos o poder das nossas decisões. O puro mudou-se a insanidade, a razão simplesmente morreu.
Na mórbida tarde em que saíste ambos sentimos a angústia da razão subir ao trono onde reinava o amor. Nosso.
- Eu chamei-te à razão. Corpo e imagem co-existem. Unos e inseparáveis. Precisas agarrar o que sentes.
mas tudo é tudo é tão superior. O sentimento é. Amor. Até a própria consciência o é. A razão nasce para ser superada. Criámos algo superior a instinto. Temos poder para deliberadamente oferecer a nossa vida a outrém. Superámos o físico. Somos trancendentes. Eu morri. Decidi. Escolhi por opção. Não segui o natural. Sou contrário ao natural. Todos o somos de forma. E eu senti-te neste princípio Mónica. Que cobardia te atacou para o perderes? A revolta é contra a revisão. Eu amei-te. Ou pelo menos achei. Criam-se incertos desde a chegada. Queria tanto perdurar. Terminar o avanço da progressiva continuação do quotidiano e ter-te como sentimento de culpa. A continuação do tempo garantiu-me forças e resistências. Garanto a solidão como verdadeira companhia. É a certeza.
Foi. Chacinaste a minha razão. Tornaste o corpo que dera à imagem numa multiplicação de ruídos indecifráveis. E tudo fora como início da escrita, reapredizagem da linguagem, da locomoção, de tudo o que se apreende da vista. Antes de crescer, renascer tornou-se por obrigatoriedade.Tudo o fizeste com um simples olhar Margarida. Na tentativa de te conhecer, dominaste-me. Até ao fim.
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