19/02/2009

IV

Ainda não sei como tudo aconteceu. Queres falar sobre?
Ainda bem que perguntas. Sentes-te para? Apetece-me rir na tua cara. Pretendo ver-te completamente desprotegido caído no chão e rir até não poder mais. Quero sentir por todo o meu espírito a doce ironia do teu ser. Quero-te rasgar pedaço por pedaço.
bem tento recuar com as palavras, tento compreender que errei. Não me consigo encarar.
Compreendes agora o ridículo a que chegaste? Aceito a frustração que sentes ver finda a tua vida e não teres recuperado absolutamente nada mas não me culpes por rir. Durante todo este tempo permaneci calado a ouvir os teus desvaneios sobre a tua vida miserável. Tu próprio.
Não poderia encaixar o meu ser de outra forma. Seja de forma genética, hereditária, bilógica, algo que ciência certa e absoluta possa explicar. Ou sou eu. Ou não sou. Ter que explicar erros humanos cai na certeza do desespero. Culpo o meu eu. Desculpabilizo-me.
Durante largos anos encurralaste-me na tua penosa cabeça. Encheste-a de pensamentos, dos ses, de consequências, das culpas de não fazer. Só a espaços me concedias o direito de te suplantar. Mas olha-me de ódio. Retribuo-te com raiva. Porque foi durante esses espaços que te concedi alguma felicidade que com esse teu grandioso ser desprezaste, abandonaste, suprimiste em nome do que chamas Ser Verdade. Meu caro amigo. És pura mentira. Criaste-te sem parâmetros lógicos
Pára, peço-me. Tive de me construir de alguma forma. E se me destruí, algo havia para o fazer. Não poderia acreditar numa mentira que se tornava cada vez mais verdade.Compreender que o que acredito não o posso ter era-me ainda difícil de aceitar.
Caíste em ti próprio. Ou em mim. Quando me tocaste percebeste a tua inexistência. Chegaste ao fim da tua equação. Assim que compreendeste que na verdade eu cresci sobre ti deixaste de ser razão. Por isso é irónico. Não me culpes por gostar de te ver perdido no teu próprio labirinto.
E agora? pergunto-me. Mereci viver? Que justificações encontro para a minha existência?

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